Dia Nacional da Epilepsia busca derrubar preconceitos contra a doença

Jornal O Globo
09/09/2015

Você sabia que o escritor Machado de Assis e o pintor holandês Vicent van Gogh sofriam de epilepsia? Embora a doença seja cercada de estigmas, é possível conviver com ela e levar uma vida normal, em todos os aspectos, com o auxílio do tratamento. Com o objetivo de combater a disseminação de informações erradas sobre o problema, é comemorado, hoje, o Dia Nacional e Latino-americano da Epilepsia. A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) lançou uma campanha especial, cuja madrinha é a campeã olímpica de vôlei Fofão.

A epilepsia é uma doença neurológica crônica, na qual existe uma predisposição persistente do cérebro para gerar crises epilépticas. Essas crises ocorrem quando há a desorganização dos impulsos elétricos responsáveis pela comunicação entre os neurônios. Segundo o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 50% dos casos, o problema não tem causa nítida. Na outra metade, ele é associado a traumas, hemorragias, tumores ou infecções (na gestação ou logo após o nascimento) no sistema nervoso central; ou ainda a malformações cerebrais e vasculares.

Remédios são suficientes em 70% dos casos

Dependendo da região do cérebro onde a crise epiléptica se origina, ou se ela se concentra em uma área ou se espalha pelo órgão, os sintomas são diferentes. As crises parciais se dividem em simples — quando o paciente não consegue controlar certos movimentos, como os das mãos, mas permanece consciente — e complexas — quando, apesar de se manter acordada, a pessoa apresenta lentidão e dificuldade de compreensão e resposta. Já as crises generalizadas são aquelas em que há perda de consciência: a pessoa, muitas vezes, cai no chão, se debate e até fica sem controle da urina e das fezes.

De acordo com a neurologista Isabella D’Andrea, presidente do Capítulo do Rio de Janeiro da Liga Brasileira de Epilepsia, em cerca de 70% dos casos, é possível conviver bem com a doença usando só a medicação.

— Os remédios agem na tentativa de estabilizar a membrana dos neurônios e diminuir a excitabilidade do cérebro, para ajudar no funcionamento adequado do órgão e evitar as crises — diz.

Os demais casos exigem, além de medicamentos, intervenções cirúrgicas e adequação da dieta, por exemplo.

Saiba mais

A epilepsia pode surgir em qualquer momento, mas em 60% a 70% dos casos, aparece ainda na infância. A terceira idade é outra fase crítica.

O problema é diagnosticado clinicamente, a partir dos relatos do paciente. “São necessárias duas ou mais crises para fazer o diagnóstico, porque qualquer pessoa pode ter uma crise convulsiva na vida e nunca mais ter”, diz Cetl.

Na maioria dos pacientes, o funcionamento do cérebro é normal entre as crises epilépticas. Em outros, podem ocorrer descargas elétricas fora das crises, sem manifestação de sintomas.

Estresse, abuso de álcool, privação de sono e exposição a luzes intermitentes podem servir de gatilhos para crises.

Em crises convulsivas, deve-se virar o paciente de lado, para que a saliva escorra e não seja broncoaspirada, e proteger a cabeça dele. “Não é preciso enfiar nada na boca da pessoa, nem tentar desenrolar a língua. Basta esperar a crise passar”, orienta Isabella D’Andrea. Caso a crise dure mais de dez minutos, é necessário procurar uma emergência médica.

Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/dia-nacional-da-epilepsia-busca-...