Dia Nacional e Latino Americano da Epilepsia: Países subdesenvolvidos e em desenvolvimento apresentam maiores índices de crianças epilépticas

Portal Gazeta da Semana
28/08/2014

Neurocirurgião explica os motivos de a doença ser mais predominante em crianças. Desnutrição durante a gestação, condições inadequadas de higiene e pré-natal inadequado são alguns fatores

No próximo dia 9 de setembro será celebrado o “Dia Nacional e Latino Americano da Epilepsia”. A data comemorativa visa desmitificar a doença e contribuir para uma melhora na qualidade de vida das pessoas com epilepsia e suas famílias. Uma em cada 26 pessoas já foi, é ou será acometida pela epilepsia, doença que atinge 70 milhões de pessoas em todo mundo, sendo que 85% delas não recebem tratamento adequado. “Quando não tratada, a epilepsia tem interferência psicológica e social para o paciente. Mas nas crianças os efeitos sociais são maiores, pois envolvem a aprendizagem, as dificuldades escolares, o estigma social”, explica o neurocirurgião especialista em epilepsia Luiz Daniel Cetl.

Entre as causas para o aparecimento da epilepsia na infância estão problemas relacionados com o desenvolvimento do cérebro antes do nascimento, a falta de oxigênio durante ou após o parto, traumatismos cranianos, convulsão com febre prolongada, tumores, causas genéticas e infecções no cérebro. A meningite também pode ser um fator desencadeante da epilepsia.

De forma geral, a epilepsia é caracterizada como uma síndrome composta por um conjunto de sintomas que são originados de um grupo de neurônios disfuncionantes, que emitem sinais atípicos ou irregulares.

A desnutrição durante a fase de gestação pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso central do bebê, causando com lesões que poderão causar epilepsia. Condições inadequadas de higiene, muito comum ainda em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, podem facilitar infecções na fase pré-natal, assim como o próprio pré-natal inadequado. Há ainda os casos causados pela neurocisticercose, decorrentes da ingestão de verduras contaminadas e mal higienizadas, contendo dos ovos da tênia (verme intestinal) e que chegam ao sistema nervoso central.

Conhecida popularmente como “ataque epiléptico”, os sintomas da epilepsia podem ser variados, dependendo da localização do grupo de neurônios afetados, que podem causar sensações de flashes e luzes, convulsão febril e movimentação incontrolável das mãos, braços e pernas.

O principal tratamento da epilepsia para as crianças é o medicamentoso, eficaz no controle das crises em cerca de 70% dos casos. “Nos casos de epilepsia refratária - não controlada com medicamentos -, a indicação pode ser o tratamento cirúrgico, mesmo nas crianças. Embora seja um procedimento reconhecido para o controle das crises, nem todos os casos podem ser tratados com cirurgia. O recomendável é uma avaliação criteriosa por um especialista, que poderá determinar o tipo de tratamento mais adequado”, explica o médico especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e membro do grupo de tumores do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Apesar de se tratar de uma condição neurológica grave mais comum existente no mundo, crenças e comportamentos inadequados ainda persistem, em pleno Século XXI. A conscientização é importante para desmistificar a epilepsia e proporcionar melhor qualidade de vida para seus portadores e familiares. “Quando não tratadas, a qualidade de vida do epiléptico é fortemente afetada, principalmente na infância. Com acompanhamento médico e o devido tratamento, crianças epilépticas podem levar uma vida normal, seja no âmbito familiar, social, cultural ou educacional”, finaliza o neurocirurgião.

Fonte: http://www.gazetadasemana.com.br/noticia/3764/dia-nacional-e-latino-amer...