Epilepsia controlada não afeta a vida normal de um paciente, segundo neurocirurgião

Portal idmed
11/02/2014

A epilepsia é uma doença que atinge hoje cerca de 50 milhões de pessoas no mundo e é mais comum do que muitos pensam. Uma curiosidade interessante sobre o problema é que ele não poupa ninguém, nem mesmo nomes importantes da história artístico-cultural, como o pintor Vincent Van Gogh e os escritores Fiódor Dostoiévski e o brasileiro Machado de Assis.

No Brasil, a taxa de incidência da epilepsia é de aproximadamente 1,8%, sendo mais comum na fase da infância. Segundo o neurocirurgião especialista em epilepsia, Dr. Luiz Daniel Cetl, a doença se caracteriza por um conjunto de sintomas que são originados de um grupo de neurônios disfuncionantes, que emitem sinais atípicos ou irregulares.

"As crises da doença podem ser divididas em parciais, que atingem apenas uma parte do cérebro, ou generalizadas, que afetam todo o órgão", esclarece o médico, que ainda subdivide as crises parciais em simples, quando não há comprometimento da consciência, e complexas, quando há algum grau de comprometimento da consciência.

Apesar do mais conhecido sintoma da epilepsia ser o "ataque epiléptico", caracterizado por perda de consciência, contrações musculares, mordedura da língua, salivação e respiração ofegante, vale destacar que a doença tem outros sinais, que podem variar de acordo com a localização do grupo de neurônios.

"Outro tipo da doença é caracterizado como crise parcial complexa, quando o paciente pode apresentar 'desligamentos', mostrar olhar fixo e perder o contato por alguns segundos com o meio que o cerca, fazendo movimentos automáticos. Quando ocorrem esses movimentos involuntários, a pessoa pode ficar mastigando, falar de modo incompreensível ou andar sem direção definida. Em geral, o paciente não se recorda do que aconteceu", completa o Dr. Luiz.

Tratamento convencional

O tratamento mais comum para casos de epilepsia é o medicamentoso, através de drogas chamadas de antiepilépticas (DAE). Tal opção possibilita o controle das crises e é eficaz em 70% dos casos, além de causar efeitos colaterais reduzidos.

Quando não é possível controlar os sintomas, as principais opções de tratamento passam a ser a cirurgia, a estimulação do nervo vago e a dieta cetogênica. Porém, em todos os casos, é necessária a avaliação de um especialista, que irá indicar o tratamento adequado para cada tipo de paciente.

"Quando não tratadas, a qualidade de vida do epiléptico é fortemente afetada. Por não ter controle das crises, muitas vezes o paciente não consegue manter o emprego e/ou os estudos, além de estar mais propício a acidentes. Outra grave consequência é relacionada ao estado de mal convulsivo (várias convulsões seguidas, sem recuperação entre elas), que, se não tratado rapidamente, pode levar a danos cerebrais definitivos", destaca o neurocirurgião.

Por fim, Dr. Luiz Daniel relembra que, com acompanhamento médico e com o devido tratamento, pacientes com epilepsia levam uma vida normal, sem comprometer a capacidade de se destacar profissionalmente ou nos estudos.