Paciente com epilepsia pode praticar atividade física?

Gazeta do Povo
16/08/2016

O início de uma atividade esportiva é uma das mudanças de hábito mais benéficas ao ser humano. Para o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e especialista em epilepsia, isso vale também para pacientes com a doença. “Geralmente, eles são rodeados de dúvidas, tabus e falta de informação adequada. A mídia propaga muito os grandes eventos esportivos mundiais e é evidente que isso influencia. Toda atividade física faz bem para a saúde e, exceto casos mais críticos, não há contraindicação”, diz.

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais, excessivas e recorrentes no cérebro, que geram crises epilépticas. Não é segredo que o portador de epilepsia sofre preconceitos e estigmas, com reflexos prejudiciais no âmbito social e psicológico. O contraponto disso, segundo o neurocirurgião, pode ser o incentivo ao esporte, que auxilia na melhora física, emocional e social, seja para o esportista profissional, de alto impacto, ou para o amador.

“O principal é ter uma boa orientação para a prática segura de qualquer exercício físico. O esporte previne, trata doenças – como a hipertensão – e melhora a qualidade de vida de muitos pacientes. Se as Olimpíadas impulsionam o desejo da prática, nós médicos temos que ser os primeiros a apoiar”, diz o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl.

Contudo, é importante ter o acompanhamento de um especialista antes de iniciar um programa de atividade física ou esportiva. “Exemplos de atletas com epilepsia não faltam e, muitos deles, participam inclusive de campanhas mundiais de sensibilização e incentivo”, relata o médico.

Não existe contraindicação, porém, recomenda-se o acompanhamento especializado antes do início de qualquer atividade física

Para ele, a informação correta também ajuda a desmistificar a relação epilepsia x atividade física x esporte. Para isso, é preciso considerar os seguintes pontos:

  • Exercício físico não tem contraindicação para pacientes com epilepsia;
  • O paciente com epilepsia, seja ele “atleta” amador ou profissional e de alto rendimento, não tem maior ou menor desgaste físico durante atividade;
  • Não há relação do estresse (adrenalina) da atividade física com crises epilépticas;
  • Traumas, contusões na cabeça e outras lesões podem acontecer em qualquer modalidade olímpica. Nos esportes coletivos, como basquete, futebol e handebol, a probabilidade é maior. Neste sentido, dependendo da intensidade e da lesão produzida com o choque, pode ser uma condição para surgimento de epilepsia. Mas cada caso deve ser avaliado por um especialista;
  • No caso de atletas profissionais, as medicações anticonvulsivantes ou antiepilépticas não interferem no rendimento físico. Apesar da preocupação com os exames antidoping, muitos desses medicamentos não aumentam o desempenho do atleta, ao contrário. Provavelmente ocorra um baixo desempenho, dado o princípio ativo “desestimulante”.

Conforme explica o neurocirurgião, estas são apenas algumas informações essenciais para o portador de epilepsia que quer praticar alguma atividade física e/ou esportiva. O médico ressalta que ainda é preciso fazer muito para desmitificar essa doença, que atinge mais de 50 milhões de pessoas no mundo (destas, cerca de 3 milhões são brasileiras), segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).