‘AWAKE CRANIOTOMY’ - CIRURGIA COM O PACIENTE ACORDADO POSSIBILITA MELHORES RESULTADOS NO TRATAMENTO DE TUMORES CEREBRAIS

Entre as vantagens do procedimento estão o resgate da qualidade de vida, o retorno às atividades cotidianas e menor tempo de internação do paciente e o controle das recidivas tumorais

O tumor cerebral, por si só, já é uma doença completamente invasiva e ocasiona mudanças físicas, sociais e psicológicas na vida do portador. Em muitos casos, o tratamento deixa o paciente debilitado, impossibilitado ou limitado para realizar atividades até então consideradas normais em seu cotidiano.

A cirurgia com o paciente acordado, conhecida entre os especialistas como ‘awake craniotomy’, permite que o cirurgião tenha a localização em tempo real de regiões funcionais do cérebro, permitindo ainda a preservação destas regiões. É considerada padrão ouro para a identificação das áreas eloquentes, que correspondem às regiões motora, sensitiva e de linguagem. A técnica apresenta excelentes resultados, sobretudo no que diz respeito à qualidade de vida, menor tempo de internação, retorno às atividades cotidianas do paciente e o controle das recidivas tumorais.

Apesar de complexa, a ‘Awake Craniotomy’ é bastante utilizada em todo mundo há mais de duas décadas para os casos de ressecção (remoção) de tumores cerebrais No Brasil, há quase 10 anos.

O procedimento permite o controle da ressecção do tumor, com retirada maior sem comprometer uma determinada função cerebral e menor déficit pós-operatório. Há incidência de maior controle do tumor quanto maior for sua retirada e, ao mesmo tempo, são maiores as chances de postergar as recidivas.

O grande diferencial deste procedimento é que o neurocirurgião consegue identificar as áreas eloquentes - motora, sensitiva ou de linguagem - e atingidas pelo tumor. A cirurgia é realizada com o paciente submetido a uma anestesia geral que, após a abertura do osso do crânio, é acordado, através da diminuição do nível da sedação. São colocados eletrodos nas mãos, nas pernas ou nas áreas em que se quer testar os estímulos cerebrais. No momento da estimulação da área correspondente, o cirurgião pede para o paciente falar uma frase. Nesse momento, o circuito da área atingida pode sofrer alteração e, assim, ser cessada a fala ou demonstrar distúrbio de linguagem (parafasia). Após o mapeamento das áreas de interesse, o paciente é novamente colocado em anestesia geral e a cirurgia é completada com a remoção total ou parcial do tumor.

Saiba mais sobre câncer cerebral:
O câncer cerebral é consequência da multiplicação desordenada das células no interior da caixa craniana. Os tumores podem ser originários das células do próprio cérebro (chamados de tumores de células gliais); originários das membranas que recobrem o cérebro (tumores das meninges ou meningeomas); surgirem das bainhas dos nervos (neuromas ou neurinomas); ou serem originários de outros órgãos ou tecidos que podem se disseminar pelo sangue (tumores metastáticos).