Aumento de acidentes de trânsito eleva casos de traumatismo craniano

A data comemorativa (25 de julho, Dia do Motorista) é um bom motivo para conscientizar motoristas, pedestres e ciclistas: prudência, bom senso, respeito ao outro e boa conduta podem evitar acidentes de trânsito, responsáveis por milhares de mortes, casos de invalidez, traumatismos cranianos e gastos na área da saúde - considerando-se socorro, tratamento e reabilitação das vítimas. Entre as sequelas mais graves está o traumatismo craniano, quando ocorre pancada na cabeça. Além disso, se o cérebro inchar, poderá ter consequências graves e, às vezes, necessitar de uma craniectomia, uma técnica responsável pela retirada de parte do crânio para que ele não comprima o cérebro.

Em 2014, segundo o Ministério da Saúde, foram 201 mil feridos hospitalizados, 52.200 indenizações por morte e 596 mil pessoas indenizadas por invalidez, conforme dados do seguro DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre). No mesmo ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 100.396 acidentes envolvendo feridos e 8.227 acidentes com registro de óbito nas estradas federais. Pesquisa realizada pelo Ibope (2014) também apontou que, somente em São Paulo, o número de usuários de bicicleta é de 261 mil pessoas.

Para os casos graves, em especial os que culminam em traumatismos cranianos decorrente de acidentes no trânsito, seja com motoristas, ciclistas ou pedestres e que necessitam da retirada da parte do crânio, hoje as técnicas são avançadas e já existem materiais modernos e há a possibilidade de moldar as próteses até sob medida. No entanto, pode ocorrer uma infecção hospitalar e, nestas situações, a correção da falha óssea pode demorar até seis meses para que o paciente se recupere. Ainda assim, após cessadas as infecções, o paciente precisa ser ´descolonizado´ das bactérias hospitalares para, somente depois desse processo, realizarmos a cranioplastia e a colocação da prótese.

Muitos dos procedimentos hoje realizados, e até mesmos óbitos devido a traumatismo craniano, poderiam ser evitados se houvesse uma política mais forte de conscientização para boas condutas no trânsito. Respeitar o limite de velocidade, usar o cinto de segurança, ter educação e bom senso ao andar por vias públicas, são algumas medidas capazes de prevenir acidentes e, consequentemente, preservar vidas e casos graves de traumatismo craniano.

Cranioplastia
A técnica conhecida como Cranioplastia é realizada para reparar uma má formação ou deformidade craniana. Consiste na colocação de uma prótese no lugar da parte óssea danificada ou retirada. No entanto, para a realização do procedimento, primeiro deve ocorrer a descompressão cerebral, através da retirada da parte óssea do crânio, para dar espaço ao cérebro, permitindo que ele inche e, assim, não se comprima contra a superfície óssea do crânio. O tempo para o cérebro desinchar é variável, às vezes alguns dias, ou até semanas.

É possível colocar prótese em qualquer paciente que tenha uma falha óssea, exceto quando há algum tipo de contra indicação clínica, sem possibilidade de controle no procedimento, o que é bem raro. O grande impulso nos últimos anos do uso de enxertos e modernização da técnica de cranioplastia favorece para melhores resultados estéticos e, o mais importante, uma melhor adequação na proteção do cérebro. No Brasil, a técnica tem bons prognósticos. O método convencional tem cobertura pelo SUS e a prótese sob medida é realizada apenas pelos convênios médicos.