Cranioplastia: técnica capaz de reparar uma deformidade do crânio

Cranioplastia, em termos gerais, é definida como a reparação de uma má formação ou deformidade do crânio, que pode ser de origem primária (congênita) ou, mais comumente, relacionada a traumas ou má formação, sendo classificada como secundária (adquirida). A técnica consiste na colocação de uma prótese no lugar da parte óssea danificada ou retirada e, geralmente, é realizada após uma descompressão cerebral, quando uma parte óssea do crânio é retirada com o objetivo de dar espaço ao cérebro, para que ele inche e não se comprima contra a superfície óssea. O tempo para o cérebro desinchar é variável, podendo durar de dias a até semanas.

Estes são casos graves (traumatismos e acidentes) e estão associados à alta incidência de infecção hospitalar. Por isso, a estimativa para correção da falha óssea é de seis meses, período em que o paciente se recupera, é tratado das infecções e, após receber alta, é “descolonizado” das bactérias hospitalares. Após esse processo, o pacientes retorna ao hospital para a colocação da prótese, em um procedimento de menor complexidade e de internação de menor duração: a cranioplastia. (O paciente, ao retirar a parte do crânio e após ser liberado, vai pra casa e volta, em média depois de 6 meses, para a colocação da prótese.

Houve um grande impulso no uso de enxertos e modernização da técnica de cranioplastia no início do Século XX, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, quando foi percebida uma série de grandes defeitos cranianos nos indivíduos sobreviventes aos campos de batalha. De lá para cá, a medicina avançou, trazendo novos materiais e, principalmente, a possibilidade de moldar as próteses sob medida, o que permite um resultado estético mais satisfatório e contribui para uma melhor qualidade de vida. E o que é essencial: hoje, conseguimos obter resultados clínicos adequados com melhor proteção do cérebro.

A prótese pode ser de vários materiais, como metilmetacrilato, polímeros variados, incluindo mamona. Existem próteses nacionais e importadas e, apesar do procedimento ser coberto pelo SUS, apenas os convênios médicos cobrem a prótese feita sob medida.

A cranioplastia é uma cirurgia reparadora, uma vez que o defeito deixa o tecido cerebral protegido apenas pelas meninges e pele. Portanto, a técnica é necessária para criarmos uma proteção melhor o tecido cerebral.
É possível colocar prótese em qualquer paciente que tenha uma falha óssea, exceto quando há algum tipo de contra indicação clínica, sem possibilidade de controle no procedimento. Mas, felizmente, isso é algo bem raro.