Epilepsia e nervo vago: 7 informações que você precisa saber

A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, provocando descargas elétricas dos neurônios, gerando sintomas ao paciente que são conhecidos por crises epilépticas. Ainda que apresente diversas opções de tratamento; inicialmente medicamentosos, e, dependendo do caso, intervenções cirúrgicas; algumas manifestações da doença são refratárias, ou seja, não respondem a esses tratamentos.

Para esses casos, o paciente pode receber a indicação de tratamento da implantação de eletrodo no nervo vago, em que a emissão de estímulos ao cérebro permite o controle das crises, em definitivo ou para a sua diminuição.

Visando, então, esclarecer um pouco mais sobre a doença e como esse procedimento é realizado, listei abaixo 07 informações que familiares, amigos e os próprios portadores da epilepsia precisam saber:

1. O que é a epilepsia?

A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, provocando descargas elétricas dos neurônios, que podem ser focais (conhecidas como parciais e podem ser simples e complexas) ou generalizadas (quando atingem todo o cérebro). As características das crises vão depender da origem das descargas elétricas no cérebro.

2. Quais tipos de crises?

Cada crise pode ocasionar um sintoma ao paciente. Quando as crises são parciais simples, temos sintomas apenas no quesito motor, visual ou de mal-estar, sem afetar a consciência. Entretanto, as parciais complexas, além de acometer o controle motor ou visual, ocasiona também alguma alteração na consciência, mas não sua total perda. Por último, existe ainda a crise generalizada que, além do acometimento do controle motor, também ocorre a perda da consciência.

3. Nervo Vago: o que é?

O nervo vago se origina dentro da cabeça, no tronco cerebral, e desce pelo pescoço, enervando todos os órgãos do abdômen, responsável também pela sensibilidade à pressão e movimentação, sendo um grande elo de comunicação entre o corpo e o cérebro. 

4. Como é o procedimento de implante de estimulação do nervo vago?

O procedimento é neuromodulativo e a técnica é realizada com implante de um estimulador ligado ao nervo vago no seu trajeto na altura do pescoço e por um marca-passo localizado na região da clavícula, que envia impulsos elétricos ininterruptos através de um eletrodo posicionado no nervo vago. Estes sinais são replicados para o cérebro, interferindo na frequência das crises epiléticas.

5. Para qual paciente o implante é indicado?

O procedimento de estimulação do nervo vago é especialmente indicado para casos de epilepsia multifocal ou de origem não definida, visto que o estímulo tem maior amplitude de atingimento, podendo alcançar mais áreas do cérebro. Além disso, esse tratamento é a última opção, quando o paciente já tentou as demais opções para controle das crises.

Após o implante, o indivíduo pode levar uma vida normal, mantendo seu acompanhamento médico, tanto para controle do funcionamento do gerador, como da manutenção de medicamentos, que embora muitas vezes reduzida, não costuma ser totalmente excluída.

O procedimento pode ser realizado em qualquer idade, mas evita-se em crianças menores de sete anos, devido a maiores mudanças no padrão de crises. Desde janeiro de 2015, é coberto pelo SUS e também está dentro do rol da ANS para cobertura de planos médicos.

6. Quais outras opções de tratamento?

Atualmente, são três os principais tipos de cirurgia:

Ressectiva: indicada para casos em que se sabe o foco cerebral das descargas que ocasionam uma crise da epilepsia e remove-se por completo a zona de início ictal (local do ataque súbito), visando o controle completo das crises convulsivas;

Desconectiva: quando a origem da descarga é de apenas um lado, consegue-se a separação entre os dois hemisférios, para que as descargas não passem de um lado para o outro.

7. Quais as recomendações após o implante?

O paciente deve seguir todas as recomendações do médico e, mesmo com o implante do eletrodo, deve seguir com as orientações passadas e continuar com o acompanhamento ao especialista, que será periodicamente definido com a evolução de respostas ao tratamento.