Epilepsia em crianças

Neurocirurgião explica os motivos de a doença ser mais predominante em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento

Embora possa acontecer em qualquer idade, desde recém-nascidos até idosos, a epilepsia é mais frequente nas crianças, podendo ter diversas causas, entre elas a subnutrição e a não realização do pré-natal, realidades muito frequentes ainda em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.

A doença é caracterizada como uma síndrome composta por um conjunto de sintomas que são originados de um grupo de neurônios disfuncionantes, que emitem sinais atípicos ou irregulares. Na infância, as causas idiopáticas (sem causa definida) são as mais comuns. No entanto, alguns fatores podem desencadear a doença, como infecções do sistema nervoso central, tumores, hemorragias, defeitos de migração neuronal e traumatismos.

Entre as causas está a desnutrição (da mãe), que pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso central da criança durante a gestação, com lesões que levem a epilepsia. Também as condições inadequadas de higiene podem facilitar infecções tanto pré-natais, que afetam o desenvolvimento do cérebro; o próprio pré-natal inadequado contribuir para o aparecimento destas infecções. Nas crianças, a meningite é outro fator desencadeante da epilepsia. Há ainda os casos causados pela neurocisticercose, decorrentes da ingestão de verduras contaminadas e mal higienizadas, contendo dos ovos da tênia (verme intestinal) e que chegam ao sistema nervoso central.

Apesar de a epilepsia ser mais conhecida entre a população como “ataque epiléptico”, em que a pessoa perde a consciência e cai no chão, têm contrações musculares em todo o corpo, mordedura da língua, salivação intensa, respiração ofegante, os sintomas da doença podem ser variados, dependendo da localização do grupo de neurônios afetados, que podem causar ainda sensações de flashes e luzes, convulsão febril e movimentação incontrolável das mãos, braços e pernas.

Assim como para os adultos, o principal tratamento da epilepsia para as crianças é o medicamentoso, eficaz no controle das crises em cerca de 70% dos casos. Porém, quando se trata de epilepsia refratária (que não é controlada com medicamentos), a indicação pode ser o tratamento cirúrgico - mesmo nas crianças. A cirurgia é um dos tratamentos recomendáveis para o controle das crises, mas não em todos os casos. Por isso, apenas um especialista, após análise aprofundada da situação do paciente, poderá determinar o tipo de tratamento mais adequado.

Para todos os tipos de epilepsia e formas de tratamentos, o mais importante é garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente. Quando não tratadas, a qualidade de vida do epiléptico é fortemente afetada, principalmente para uma criança. Com acompanhamento médico e o devido tratamento, crianças epilépticas podem levar uma vida normal, seja no âmbito familiar, social, cultural ou educacional.