Inverno e a possível relação com rompimentos de aneurismas cerebrais

Em meio ao clima mais frio do ano, é comum o aumento de algumas doenças típicas da estação. Mas, além delas, o inverno também indica um aumento de casos de rompimento do aneurisma cerebral, uma ocorrência grave com grande índice de mortalidade.

O aneurisma cerebral se caracteriza por uma dilatação da parede de uma artéria do cérebro, desenvolvida comumente por fatores congênitos (ou seja, adquirida antes do nascimento ou pouco tempo depois), ou ainda envelhecimento, aterosclerose, doenças inflamatórias e infecciosas.

Por não apresentar sintomas enquanto se desenvolve, o aneurisma geralmente só é identificado quando se rompe, levando ao sangramento, onde é preciso atendimento médico urgente para conter a evolução para a morte ou sequelas funcionais importantes ao indivíduo.

Sobre o aumento de ocorrências de rompimento do aneurisma no inverno, embora não existam estudos comprobatórios a este respeito, percebe-se um volume maior de casos em hospitais nesta época. Tecnicamente, a explicação plausível para isso seria a necessidade de regulação da sensibilidade térmica do corpo procurando se aquecer, onde pode ocorrer uma diminuição no diâmetro das artérias e veias, dificultando a circulação do sangue. Isso, por sua vez, também pode contribuir para o sangramento do aneurisma.

Não há formas de prever a ocorrência e nem seria o caso de realizar regularmente exames de check-up para a identificação do aneurisma, porque é complexo e ancorado em exame de angiografia - técnica mais invasiva e de difícil execução nos procedimentos de rotina. A angioressonância também pode ajudar, apesar de não constatar 100% dos quadros.   

Em casos raros, quando o aneurisma cresce muito ou de modo acelerado, alguns indícios podem surgir, como dor de cabeça frequente e persistente, convulsões constantes, formigamento na região da cabeça ou visão dupla e embaçada, e nestes casos convém procurar a ajuda especializada de um neurologista. Após o diagnóstico seguro antes de um rompimento, o tratamento consiste na monitoração do aneurisma.

Quando há uma ruptura do mesmo e que se caracteriza por uma dor de cabeça súbita, intensa, lancinante – inclusive com possibilidade de perda de consciência, o paciente precisa ser encaminhado com urgência para um hospital onde deverá ser submetido a dois possíveis procedimentos padrão. O primeiro é a microcirurgia para clipagem do aneurisma, um método em que um microscópio cirúrgico auxilia na abertura do crânio para que haja um afastamento do cérebro e o implante de uma pequena peça metálica (clip) no colo do aneurisma. Assim, o extravasamento do sangue é bloqueado e evita-se um novo sangramento.

O segundo é a embolização ou endovascularização, que acontece através de cateterismo. São inseridos na região interna do aneurisma fios em forma de espiral, formando um tipo de mola que preenche a região, impedindo novo rompimento e um possível derrame cerebral. Este método também pode ser utilizado de forma preventiva em casos de diagnóstico prévio, antes do rompimento.

Para esclarecer mais sobre o assunto, preparei uma videorreportagem especial sobre o tema, que pode ser conferida aqui: https://youtu.be/Q6bLyTdW5lk.