OS PERIGOS DO ANEURISMA CEREBRAL

Aneurisma cerebral tem cura? Qual o seu tratamento? Deixa sequelas? Estas e outras questões sempre surgem em quem descobre ter esta doença, que ao longo dos anos vem sendo alimentada com muitos mitos. O principal deles seria o de que o aneurisma é uma bomba relógio sem possibilidades de intervenção, quase que uma condenação. Mas quais são os reais perigos da doença?

O aneurisma é uma falha congênita ou dilatação/alargamento que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro e que não apresenta sintomas anteriores enquanto estão crescendo. Por isso é difícil diagnosticá-lo. Quando são sintomáticos, normalmente decorrentes do crescimento e/ou ruptura, pode ter consequências graves se não tratados com urgência.

Geralmente, o aneurisma é descoberto quando se rompe e então é necessário o atendimento de extrema urgência. Por outro lado, quando não há o rompimento, o aneurisma só é encontrado por achados de exames feitos para outros motivos que acabam evidenciando a lesão. Mas esse modo de diagnóstico não é muito frequente.

Quando o aneurisma sangra, é sinal de que houve o rompimento das artérias cerebrais, o que pode ocasionar a perda de consciência e também uma terrível dor de cabeça. Nestes casos, é imprescindível que se leve o paciente imediatamente ao hospital, pois uma vez que houve um sangramento, existe a possibilidade de uma contração dos vasos, e o sangue pode ter se esparramado no cérebro, levando as artérias a se contraírem. Além disso, dependendo da intensidade e da gravidade, o aneurisma pode levar a uma isquemia cerebral ou vasoespasmo, que são contrações involuntárias.

O volume do sangramento intracraniano é a principal causa de morte de casos de aneurisma. O sangramento faz com que a pressão intracraniana aumente, diminuindo a perfusão cerebral e, sem sangue, o cérebro morre. A mortalidade em alguns casos ocorre também devido a ressangramentos e vasoespasmos. O grande risco do aneurisma é a ruptura e a consequente hemorragia. A taxa de mortalidade ainda é muito alta, em torno de 40% a 50% dos casos. Além disso, aproximadamente metade dos pacientes que sobrevivem terá sequelas graves. Quando o aneurisma se rompe, 1 em cada 4 pacientes morrem antes de chegar no hospital. Dos que sobrevivem, apenas cerca de 10 a 15% voltam a realizer as mesmas atividades prévias.

O atendimento rápido e eficaz também é o principal fator para que o paciente fique com menos sequelas possíveis. As causas do aneurisma cerebral são diversas, mas todas envolvem uma fraqueza da parede da artéria. Isto ocorre por aterosclerose, envelhecimento, predisposição a doenças que podem afetar as artérias, como doenças inflamatórias, infecciosas e reumáticas. Os aneurismas cerebrais podem ser também congênitos.

Diagnóstico
Já está sendo estudada a criação de rotinas de diagnóstico, mas que ainda não evoluíram devido à complexidade de identificação em exames mais comuns de imagem. A angioressonância pode ser uma das indicações para a identificação da doença, embora não detecte 100% dos casos. Nesse exame, um campo magnético é empregado sobre o sangue circulante. Um pulso de radiofreqüência é aplicado, alterando o alinhamento dos prótons no sangue da região escolhida, sinalizando um possível aneurisma.

A melhor alternativa ainda é a angiografia, que se constitui em técnica mais invasiva e de difícl introdução nos procedimentos de rotina. Esse procedimento é realizado em sala equipada com um aparelho de raios X, quando é inserido um cateter na artéria ou na veia que está sendo investigada, que irá receber fluídos, contraste e medicações.

Quando o aneurisma é diagnosticado a tempo, é indicada a sua monitoração. Mas aneurisma diagnosticado é aneurisma tratado. Se detectado antes do rompimento, o tratamento poder ser programado, mas quando o diagnóstico for após a ruptura, o tratamento é de urgência/emergência e, nesses casos, sendo indicados dois tipos de procedimentos padrão: endovascular (embolização) ou microcirurgia (cirurgia aberta com auxílio de microscópio cirúrgico).

A realização da embolização se dá através de cateterismo, por angiografia cerebral digital, quando molas são colocadas na região interna do aneurisma cerebral. Um dos problemas que acontece com a embolização é que o procedimento, por ser endovascular, não lida com o sangue ao redor das artérias, o que aumenta o risco do vasoespasmo. E existe ainda a possibilidade de parte do aneurisma não ficar completamente ocluído, podendo ocorrer um crescimento no futuro, sendo mais difícil de tratar.

A outra técnica, conhecida como microcirurgia para clipagem do aneurisma, é um procedimento através do qual se utiliza um microscópio cirúrgico para a abertura do crânio, com visualização do aneurisma, afastamento cerebral e a colocação de uma delicada peça metálica (clip) no colo do aneurisma para bloquear a circulação do sangue no cérebro, evitando um novo sangramento.