Porque as epilepsias são mais prevalentes na infância

Infecções neonatais, de maior incidência em países subdesenvolvidos, estão entre os fatores críticos para o desenvolvimento da doença

Cerca de 18 em cada 100 mil pessoas apresenta algum quadro de epilepsia no mundo, sendo que em 75% dos casos ela se apresenta antes dos 18 anos. Caracterizada por uma manifestação crônica de origem variada, composta de crises repetidas geradas a partir de carga excessiva dos neurônios cerebrais, a epilepsia ainda gera dúvidas em relação as suas causas e tipos, especialmente em sua fase comumente mais crítica: a infância e adolescência.

Entre as causas para a descoberta da epilepsia na infância estão problemas relacionados com o cérebro antes do nascimento, a  exemplo da falta de oxigênio durante ou após o parto, traumatismos cranianos, convulsão com febre prolongada, tumores, causas genéticas e infecções. A meningite também pode ser um fator desencadeante da epilepsia.

A desnutrição durante a fase de gestação pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso central do bebê, provocando lesões que poderão causar epilepsia. Condições inadequadas de higiene, muito comum ainda em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento também facilitam infecções na fase pré-natal, assim como o próprio pré-natal inadequado. Há ainda os casos relacionados à neurocisticercose, decorrentes da ingestão de verduras contaminadas e mal higienizadas, contendo dos ovos da tênia (verme intestinal) e que chegam ao sistema nervoso central.

Conhecida popularmente como “ataque epiléptico”, os sintomas da epilepsia podem variar dependendo da localização do grupo de neurônios afetados, que podem causar sensações de flashes e luzes, convulsão febril e movimentação incontrolável das mãos, braços e pernas.

A intensidade e as frequências maiores das crises nas crianças ocorrem em função das características do seu desenvolvimento, uma vez que o sistema nervoso central da criança apresenta mudanças constantes desde a gestação na barriga da mãe, evoluindo em transformações bastante dinâmicas até ela se tornar adulta e que interferem de forma importante sobre as características das crises, bem como sobre as respostas aos tratamentos propostos.

O principal tratamento da epilepsia é o medicamentoso, eficaz no controle das crises em cerca de 70% dos casos. “os casos de epilepsia refratária - não controlada com medicamentos -, a indicação pode ser o tratamento cirúrgico, mesmo em crianças. Embora seja um procedimento reconhecido para o controle das crises, nem todos os casos podem ser tratados com cirurgia. O recomendável é uma avaliação criteriosa pelo médico especialista, que poderá determinar o tipo de tratamento mais adequado.

Quando não tratadas, a qualidade de vida do epiléptico é bastante afetada, principalmente na infância. Entretanto, com o acompanhamento médico adequado as crianças com epilepsia conseguem ser devidamente inseridas no âmbito familiar, social, cultural e educacional, tão importantes em sua base de formação.