Tumor cerebral

O tumor cerebral se caracteriza pelo crescimento anormal de células dentro do cérebro, levando à compressão e lesão das células cerebrais. Existem quase 100 tipos de tumores cerebrais, que geralmente recebem o nome do tipo da célula da qual se desenvolve. A maioria dos tumores cerebrais são as metástases (implantes de cânceres de outros órgãos). Já a maioria dos tumores primários cerebrais (aqueles que se originam de células do sistema nervoso central) são os gliomas, tumores que originam-se nas células gliais, que sustentam as células nervosas do órgão.
Os tumores também são classificados tradicionalmente em benignos e malignos conforme características biológicas de velocidade de crescimento, infiltração, como se espalha no órgão, presença de necrose, além do número de mitoses (células em divisão).

Como em outros órgãos do corpo, no cérebro essas características também são utilizadas para determinar a benignidade ou malignidade dos tumores que o acometem, porém associado a isso há outro fator importante: a localização da lesão. Embora ela não aumente ou diminua a benignidade ou malignidade, pode determinar déficits (às vezes, definitivos), a possibilidade ou não de uma ressecção completa, ou mesmo levar a programação de tratamento complementar, como a radioterapia.

As causas reais do tumor cerebral ainda são desconhecidas. No entanto, além de fatores genéticos, considera-se a má alimentação, uso de determinados medicamentos e a exposição a substâncias químicas como potencializadores de seu desenvolvimento.

Índices da doença - Embora não existam estatísticas brasileiras confiáveis a respeito da incidência dos tumores cerebrais, é possível basear-se em estatísticas de populações semelhantes a nossa, em que os tumores mais frequentes no sistema nervoso central são os de metástases (tumores originados em outros órgãos).

Dos tumores cerebrais propriamente ditos, os meningiomas (tumores comumente benignos) são os mais prevalentes e representam cerca de 15% dos tumores. Dos tumores primários do sistema nervoso central (originários de células do cérebro), os gliomas são os mais frequentes (cerca de 25 a 30% dos tumores cerebrais) e, destes, o glioblastoma (tumor maligno) corresponde a metade dos casos.

Há ainda os tumores de hipófise (conforme dados de necrópsia, cerca de 10% das pessoas apresentam esse tipo de lesão), representando, em média, de 13% dos casos de lesões primárias do sistema nervoso central; os tumores de envoltório dos nervos (como o schwanoma vestibular), com cerca de 9% dos casos e os linfomas primários do sistema nervoso central, com cerca de 2% dos casos.

No total, os tumores cerebrais representam 2% do total de tumores que acometem a população.

Por ter alguns sintomas semelhantes aos de outras enfermidades, a identificação do tumor cerebral pode ser dificultada, interferindo de forma significante na sua evolução e no seu tratamento. Os sintomas mais comuns são: cefaleia, convulsões, déficits motores, déficits cognitivos. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento preciso, são fundamentais para a cura ou o oferecimento de melhor qualidade de vida do paciente.

Cirurgias para o tratamento de tumores:

Dentre os exames de imagem mais indicados para o diagnóstico dos tumores, a Ressonância Magnética (RM) com sequências específicas, como perfusão, difusão, espectroscopia, tractografia, entre outros, tem auxiliado no diagnóstico e no planejamento pré-operatório.

Da mesma forma, a neuronavegação tem ajudado tanto no planejamento pré-operatório quanto no aspecto intra-operatório do tratamento cirúrgico.

Mas o que tem mudado o padrão de ressecção é a utilização do conceito de monitorização intra-operatória em tempo real, onde é utilizado o ultrassom intra-operatório para a localização do tumor e avaliação da progressão de sua ressecção, associado à monitorização neurofisiológica, em que é possível identificar áreas e estruturas eloquentes, como a área motora, da fala, da linguagem, dos nervos cranianos, etc.

Ainda nos casos de monitorização de fala e linguagem, são realizadas cirurgias com o paciente acordado para que seja feito os testes e estimulações que irão delimitar as áreas de interesse para preservação.

Essas técnicas têm tornado o tratamento cirúrgico mais seguro, possibilitando ressecções mais amplas e com menos riscos para os pacientes, com consequente melhora da qualidade de vida.